Wednesday, December 23, 2009

Mete aí.

- Sou um santo!
- Tens uma alheira sobre a cabeça! Como é que isso faz de ti um santo?
- Qualquer sub-produto de um holocausto inacabado é santidade em potência! Sou ícone, inamovível e imperturbável. Da aliança do Homem com Deus. Os Judeus têm a circuncisão, os cristãos a hóstia...
- E tu uma alheira!
- É símbolo e definição, logo linguagem. Nela entendo o Alfa e o Ómega, o principio e o fim dos tempos unidos pela fina concordância da razão humana, que procura seu Deus para mais o agradar. Castanha como a Terra, preenche cada parte do seu interior a massa mole e difusa que somos. Humanos, hipócritas nos actos, auto-benevolentes, sádicos. Desculpa, não me ocorrem adjectivos... e não posso quebrar a concentração.
- Pois, não vá a alheira cair.
- Jamais! Sou Pedro, pedra, rochedo seguro, no alto do monte mais alto; em redor, domínio absoluto! De longe, luzirá o dia na noite, revelação na incerteza.
- Incerteza nenhuma, é de Mirandela e é mesmo boa!
- Meu pensamento discorre, acelerado, e projecta-se entusiasmado nesta abundância que jorra, que bebo sofregamente, como se não houvesse amanhã!
- Branco ou tinto? Eu prefiro tinto.
- Sou superior às tuas graças. Deixa-nos partir soltos, e mil prosas farei, cem mundos conquistarei, uma verdade absoluta abrirei. Pois a revelação é questão de certezas na fé. E perseverança!...
- Acompanhadas com batata frita, claro! É uma alheira, homem!
- Não, é improviso e espanto, castidade e adaptação. É a cultura de um povo em cada curva do perímetro. É... é a beleza na intenção de quem segura, de quem teme. Velarei dia e noite pela sua glorificação!
- Pois.
- Que a cinza dos mortos me cubra, se algum dia desviar minha intenção deste objectivo!
- Hum hum... O grelhador está aceso faz tempo.
...
...
- Tenho fome.
- Mete aí.

Tuesday, December 15, 2009

Dá Deus nozes a quem não tem dentes.

A insatisfação da satisfação inconsequente de outrém. Diz-se de quem tem a sorte constantemente a bater à porta, mas não aproveita ou não agradece a mesma. Será Inveja, daquela que salta ao ouvido?
Há os afortunados e os "nem por isso". Construídos ou atribuídos, os acontecimentos inverosímeis, desejados ou espontâneos, são motivo de discussões. Tendo por origem Deus, Destino, Fado, Sorte, Fortuna, as Forças do Universo, o número de Plank, uma certeza fica: a realidade é-o, a partir daquele instante em que a graça é concedida. Ou fabricada, por nós ou outros...ou sempre esteve escrita.
O que fazemos com ela é que nos distingue. De nada serve uma fortuna testamentada se nos comportamos como novos-ricos e esbanjamos como se tivéssemos a certeza na palma da mão (ou no MasterGold da Visa)! Os que não têm dentes sempre podem guardar o espólio, para uma outra ocasião. Pedir a outro que as abra, trinque e lhas ponha na boca. Vendê-las, trocá-las por um album em vinil do Quim Barreiros. Aliás, o ditado, como o conheço e comummente ouço, é mais completo, logo mais redutor: "Dá Deus nozes a quem não tem dentes para as comer", o que claramente indica que foi concedida inconvenientemente a graça... Hum... estou a afastar-me do assunto.
É justo? Que ele tenha melhores notas sem ter estudado, e não queira seguir estudos? Que a miúda mais gira o ama e ele é gay? Que Deus nos tenha dado este mundo para cuidar e o máximo que conseguimos é querer imitá-lo? Não creio que Deus seja um miserável sem sentido de humor. Pelo contrário! Se o faz é para nos apercebermos que a humildade e a admiração são dons a cultivar.
Atribuímo-nos o papel de pseuDeuses quando julgamos e sentenciamos. Saberemos porventura toda a existência concreta de alguém? "Deus escreve direito por linhas tortas", diria agora. Porque não tentar um "Deus lhe dê discernimento para bem aproveitar o que lhe foi dado", apelando a uma melhoria contínua na capacidade de acção do outro? E sentir realmente essa vontade!
Congratulemo-nos pelas graças concedidas, a nós e outros. O resto... é com Deus.

Monday, December 14, 2009

Dúvidas sobre Deus

Leio e revejo no drama que tem sido a minha relação com Deus nos últimos anos: na Vontade de O Explicar, perco o Sentir-me com Ele e nisso, o Sentir-me com os outros. Bolas, ando diabolizado, pensar e sentir não andam coerentes e por muito que diga "sou cristão" não ajo nem me sinto sempre como tal. Católico então... Ou seja, até posso pensar em abraçar o mundo e mesmo fazê-lo, mas de nada me serve se não sentir o mundo nos (a)braços.
Com tantas versões do mesmo Deus ando confuso: ainda mais quando o hermetismo das palavras e expressões toca o ridículo. Desculpem-me os mais espirituais, mas sou um tipo de ciências, e nas questões espirituais um autêntico trolha. Preciso de conhecer exactamente o que me dizem. Mesmo abstractamente, tem que existir uma redundância que permita a comparação. Revelem Deus no concreto e perceberei. Não venham com “É demasiado complexo para ser tratado com tanta veleidade”, são tretas e sabem-no.

Sunday, December 13, 2009

Lutas

Uma pergunta recorrente nos dias de hoje, feita pelos mais e menos novos, que tanto nos espanta, desconcerta e por vezes assusta: Onde está o mal?

Pois é essa questão, colocada antes ou depois dos porquês, que resume muita da problemática do esforço (Luta): se aquilo a que pretendemos é correcto (Bem) ou incorrecto (Mal).

Fará sentido encetarmos uma cruzada para a concretização de algo que consideraremos profícuo (bom) para todos, desde que não interfiramos com vontades alheias: o consenso, advindo do diálogo esclarecido, seria a confirmação da Resposta como soma das partes. Alguém que se isola nunca provará o doce sabor do Amor, porque esta surge da Dualidade Amorosa, o partilhar numa entrega que se pretende Total...

Não dá para ignorar a combatividade de quem se entrega nas causas que considera justas. No entanto, o empenho na resolução nem sempre se encontra no desgaste do adversário, também o podemos encontrar no aproveitamento das próprias forças.

Um grito de revolta indispõe; uma verdade transmitida predispõe.