- Tens uma alheira sobre a cabeça! Como é que isso faz de ti um santo?
- Qualquer sub-produto de um holocausto inacabado é santidade em potência! Sou ícone, inamovível e imperturbável. Da aliança do Homem com Deus. Os Judeus têm a circuncisão, os cristãos a hóstia...
- E tu uma alheira!
- É símbolo e definição, logo linguagem. Nela entendo o Alfa e o Ómega, o principio e o fim dos tempos unidos pela fina concordância da razão humana, que procura seu Deus para mais o agradar. Castanha como a Terra, preenche cada parte do seu interior a massa mole e difusa que somos. Humanos, hipócritas nos actos, auto-benevolentes, sádicos. Desculpa, não me ocorrem adjectivos... e não posso quebrar a concentração.
- Pois, não vá a alheira cair.
- Jamais! Sou Pedro, pedra, rochedo seguro, no alto do monte mais alto; em redor, domínio absoluto! De longe, luzirá o dia na noite, revelação na incerteza.
- Incerteza nenhuma, é de Mirandela e é mesmo boa!
- Meu pensamento discorre, acelerado, e projecta-se entusiasmado nesta abundância que jorra, que bebo sofregamente, como se não houvesse amanhã!
- Branco ou tinto? Eu prefiro tinto.
- Sou superior às tuas graças. Deixa-nos partir soltos, e mil prosas farei, cem mundos conquistarei, uma verdade absoluta abrirei. Pois a revelação é questão de certezas na fé. E perseverança!...
- Acompanhadas com batata frita, claro! É uma alheira, homem!
- Não, é improviso e espanto, castidade e adaptação. É a cultura de um povo em cada curva do perímetro. É... é a beleza na intenção de quem segura, de quem teme. Velarei dia e noite pela sua glorificação!
- Pois.
- Que a cinza dos mortos me cubra, se algum dia desviar minha intenção deste objectivo!
- Hum hum... O grelhador está aceso faz tempo.
...
...
- Tenho fome.