Taizé foi um dos elos em comum. As motivações pessoais que levaram 33 pessoas dos mais variados pontos do país, diferentes idades e estilos de vida (estudantes do ensino superior em Leiria, na grande maioria), complexas personalidades e questões perante a realidade da sua existência, a encetar, pela primeira vez ou não, uma viagem onde acabariam, ainda que não o desejassem, por revelar uma centelha do seu Eu, as motivações, escrevia, ser-me-ão ainda hoje desconhecidas. No entanto, essas pessoas eram portadoras de uma grande vontade, havia algo que as impelia a fazerem esta precisa viagem. De onde provinha essa mesma vontade, creio nem elas próprias, concretamente, saberem… Mas as palavras lançadas em momentos de doação pessoal, de entrega, são demonstradoras de uma experiência única…a repetir. Algo de que uma fotografia seria um pálido reflexo…
Taizé será, após uma semana de estadia, uma lembrança de um tempo bem passado na companhia de amigos (velhos e novos), uma experiência marcante na vida, uma (re)descoberta intimista do Eu e de Deus (como eles se confundem!),uma esperança de um regresso, uma constatação da possibilidade de uma vida de partilha de gestos e de algo mais, um parágrafo no Curriculum Vitae…
Taizé é a realização de uma Utopia na Terra, onde as palavras “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, que traduziram as aspirações de um povo numa época de mudança, ganham forma e se materializam, num espaço concreto de uma simplicidade enorme e de uma eficácia, aos mais variados níveis, sem igual.
Taizé estará, de certa forma, simbolizada na sua igreja: de linhas simples e harmoniosas mas possuidora de um dinamismo, beleza e inteligência sem igual, com traços indicadores de uma génese ecuménica, destinada a motivar, no encontro dos mais variados sectores da Igreja, um encontro em oração, uma partilha de sentidos, uma comunhão de emoções.
Taizé é um local onde o convite à oração, na igreja e na companhia dos irmãos, é renovado três vezes por dia. No entanto, esta surgirá a qualquer instante e independente do que nos rodeia: numa conversa casual com um “estranho” ao almoço, na observação de um ícone, num passeio junto aos lagos, num ensaio do coro, num abraço…
Taizé é um espaço onde ocorre uma expansão do Tempo, tal a intensidade e profundidade de cada experiência, onde “o deus das pequenas coisas” nos interroga quando, conscientemente ou não, sobre elas incidimos a nossa atenção e retiramos e sua essência. Reflectimos então.
Taizé é uma proposta de vida, de aprofundamento da espiritualidade, da qual se espera uma transposição para o quotidiano. Um movimento baseado na busca de uma resposta nos evangelhos, através da oração, do silêncio, poderá, então, ser dado pela frase, do sueco, “Jag ska dit, ska du?”, cuja tradução, livre, aproximar-se-á de “Eu vou por aqui, e tu?”.