Agora que falo...
Me ponho de galo
E conto histórias
Bazófias, dos dias
Em que Ser e ter
O que comer
Eram estratégias
Para os sobreviventes
Do acaso, os dementes
Marginais, assassinos,
Boémios, valdevinos.
Ironia e sarcasmo
Sacudiam o marasmo
Da pessoa estagnada
Com contos de fada.
Arrisco, na dita
Estória da aflita.
Que o corpo vende
E não compreende
A alternativa
À vida atractiva
Que o dinheiro lhe dá.
“Até já”
E larga a nota,
Saindo pela porta,
Aberta, com v de volta,
Levando a escolta,
“Sr. Doutor, quer recibo?”
Não, e ai do chibo,
Que propuser,
Este dinheiro entrar,
No circuito normal.
Pois todo o mal
Deste mundo profano,
Lugar de engano,
Vem da assimetria,
Daquela quantia,
Que num passe de magia
O rico arrecada,
E o pobre, sem nada,
Fica apertado,
Nem perdido nem achado.
1 comment:
Foi-se
Foda-se
afinal veio!
(muito bom)
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