Saturday, January 17, 2009

Supernova

- Vi a mulher da minha vida.
- A sério? E falaste com ela?
- Tentei, mas o pai não deixou.
- Não deixou? Porquê?
- Disse-me que ainda não tinha idade para ela.
- Se o pai duma gaja me dissesse isso…
- Não foi o dela, foi o meu.
- Ah… E então? Conheceste-a no mercado?
- Não, no cinema.
- Que te disse?
- Nada, mas deixou-me um bilhete.
- Deixou-te um bilhete?
- Sim, durante o intervalo. Estava no bar a comprar um Kloche de mentol. Ela chegou, sentou-se ao balcão, pediu uma gasosa, sorriu e deixou-se.
- O que dizia?
- Já te disse que não trocámos palavra.
- O bilhete.
- Ah! (Tira um pedaço de papel do bolso) Fila F, lugar 18.
- Então mas…
- É código, um anagrama. Repara. (olham ambos para o papel)
- Perfeitamente!
- Ana Queirós, 963 547 786, Rua do Lavrador, 44.
- Incrível. Suprema inteligência. E tu, que sortudo. Vais convidá-la para jantar?
- Não. Creio ser cedo de mais.
- São quase sete da tarde.
- Está bem, vou ligar-lhe.

- Então?
- Não atende.
- Tenta de novo.

- Estou? Ana? Deixaste-me o teu contacto...(Conversa onde o personagem solta alguns monossílabos)

- E…
- Era o meu pai. Disse que hoje não jogamos crapô.

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