Rowan Atkinson, ciente da necessidade de uma transnacionalização humorística encontrou, no seu alter-ego Mr. Bean, a meta desse projecto, ainda que, e segundo palavras do mesmo, este não seja mais que uma versão adulta da criança que nele (ainda) reside, com algumas imperfeições adicionadas…
Definamos Mr. Bean como:
Ser carismático e reservado, naturalmente desconcertante e imaginativo, simples nos gostos, exagerado nos movimentos, incontinente nas maneiras, simpático, desprovido de “sex appeal”, egocêntrico, egoísta (excepto para o peluche, a quem se dá com todas as suas forças), socialmente inepto, autista por vezes é, em diversos instantes, a personificação da inveja. É da tristeza que esta criatura se alimenta para equalizar o seu vivir aos restantes membros da sociedade na qual se move.
Actos do quotidiano como comer, ir ao cinema, à piscina, ao parque, são motivos para extirpar frustrações, colmatar a necessidade de se fazer notado, levantar o dedo (por vezes o irmão do meio), humanizar-se, gritar mudamente “Estou aqui!!!...”
…sorrir de satisfação perante a perspectiva de umas trincas num pequeno bolo de morango, da compra de uma nova (e pequena) televisão, um mergulho na piscina municipal (e nisso muitos o invejam), uma ida ao hiper mais próximo…
Assim se move Bean: materialmente compensatório de uma insatisfação emocional, não olha a meios para se relativizar no banal, no comum, no vulgus, pois é esse o objecto de desejo da sociedade. Querendo tornar as aspirações da sociedade suas, Bean perde referências morais à medida que age: o ódio que sente no sentir-se suplantado, as palavras que segrega (naturalmente audíveis ou não), a transferência da culpa, o prazer nas desgraças e tristeza nas glórias alheias (fisicamente intensos) …
Neste mundo de discrepâncias sociais em crescendo, Rowan encontrou uma personagem que a todos causa, instantaneamente e enquanto criação, compaixão e deixa uma margem que nos possibilita a desculpabilização da sua momentânea perfidez enquanto virtualmente humano.
Como salvaguardar a sociedade deste tipo de conduta? Como contrariar a natural tendência para, afundados no imenso oceano de consumismo, nos lançarmos numa competição exagerada, buscarmos a suplantação do próximo pelo prazer de ultrapassar…
Não citius, altius, fortius mas o contrário: invejamos muitas vezes o que está próximo, somos baixos nas acções e isto mostra como somos fracos. Em suma, trata-se de um estado de sobrevivência por dependência na inadaptação de outrem, na exaltação do Eu pela subserviência do próximo...
Definamos Mr. Bean como:
Ser carismático e reservado, naturalmente desconcertante e imaginativo, simples nos gostos, exagerado nos movimentos, incontinente nas maneiras, simpático, desprovido de “sex appeal”, egocêntrico, egoísta (excepto para o peluche, a quem se dá com todas as suas forças), socialmente inepto, autista por vezes é, em diversos instantes, a personificação da inveja. É da tristeza que esta criatura se alimenta para equalizar o seu vivir aos restantes membros da sociedade na qual se move.
Actos do quotidiano como comer, ir ao cinema, à piscina, ao parque, são motivos para extirpar frustrações, colmatar a necessidade de se fazer notado, levantar o dedo (por vezes o irmão do meio), humanizar-se, gritar mudamente “Estou aqui!!!...”
…sorrir de satisfação perante a perspectiva de umas trincas num pequeno bolo de morango, da compra de uma nova (e pequena) televisão, um mergulho na piscina municipal (e nisso muitos o invejam), uma ida ao hiper mais próximo…
Assim se move Bean: materialmente compensatório de uma insatisfação emocional, não olha a meios para se relativizar no banal, no comum, no vulgus, pois é esse o objecto de desejo da sociedade. Querendo tornar as aspirações da sociedade suas, Bean perde referências morais à medida que age: o ódio que sente no sentir-se suplantado, as palavras que segrega (naturalmente audíveis ou não), a transferência da culpa, o prazer nas desgraças e tristeza nas glórias alheias (fisicamente intensos) …
Neste mundo de discrepâncias sociais em crescendo, Rowan encontrou uma personagem que a todos causa, instantaneamente e enquanto criação, compaixão e deixa uma margem que nos possibilita a desculpabilização da sua momentânea perfidez enquanto virtualmente humano.
Como salvaguardar a sociedade deste tipo de conduta? Como contrariar a natural tendência para, afundados no imenso oceano de consumismo, nos lançarmos numa competição exagerada, buscarmos a suplantação do próximo pelo prazer de ultrapassar…
Não citius, altius, fortius mas o contrário: invejamos muitas vezes o que está próximo, somos baixos nas acções e isto mostra como somos fracos. Em suma, trata-se de um estado de sobrevivência por dependência na inadaptação de outrem, na exaltação do Eu pela subserviência do próximo...